terça-feira, 28 de janeiro de 2014


Compared to other kids I haven’t had that many hardships, not really. Shit’s happended… Stuff’s happened, sure, but stuff always happens, right? But the real challenge in my life, the real hardship is me. It’s always been me. As long as I can remember I’ve never not been afraid. Afraid of failure, of letting people down, hurting people, getting hurt. I thought if I kept my guard up and focused on other things, other people, if I couldn’t even feel it, well then no harm would come to me. I screwed up. Not only did I shut out the pain, I shut out everything. The good and the bad. Until there was nothing. (...) 
 
Sutter Keely in The Spectacular Now

domingo, 26 de janeiro de 2014

feel



                Eu sinto tão pouco e tão pouca coisa que tendo a repetir o que sinto. É uma cópia de uma cópia. Sinto mais do mesmo por pessoas diferentes em dias diferentes. Esta minha memória quase fotográfica torna o pouco que sinto num ciclo de emoções. Reconheço o que sinto como um antigo amigo ou inimigo. Não sei mais a novidade febril de um sentimento. Mas pior que repetir o sentimento é repetir a dor toda de novo deixando de parte as coisas boas, como se não as reconhecesse. E é tão triste que assim seja.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

coldhands




                Não te via há muito tempo. Observo a curva nos teus lábios e retribuo-a. Fico quente como que com febre e não sei porquê. As minhas mãos continuam geladas e recordo-me que costumavas gostar de as aquecer. Ainda não acredito mas não senti o desconfortável soco na barriga que representavam as saudades que tinha de ti. Agrada-me já não sentir qualquer ponta de ligação contigo. Continuas, no entanto, a ter aquele “je ne sais quoi” de quem me acordava a meio da noite prometendo-me dar a melhor noite da minha vida. Acho que foi por isso que deixei agarrar-te a mim – tu cumprias sempre a promessa. E eu, carne fraca, deixava-me levar.
                Não sei ao certo onde ficámos quando deixei de te responder com tanta frequência às mensagens escritas. Precisava de espaço e tu insististe em demasia. Foi um erro da tua parte – quando me perguntaste se algum dia irias ser mais do que umas horas de prazer – e foi um erro da minha parte – quando não te quis mentir. As minhas mãos continuam tão frias como a últimas vez que lhes tocaste…

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

sincronização



                Quando me sinto longe de ti – tão longe de ti – fecho os olhos. Fecho-os porque é na escuridão que te recordo de melhor forma. Vejo no meu corpo o mapa que desenhaste e sorrio. Recordo todos os pormenores que me deste a conhecer ao longo destes anos e tento enumera-los.

                Tu preferes quando os meus lábios chegam ao teu pescoço e sentes nele a minha barba. Gostas de explorar o meu corpo com a língua e nunca precisaste de outros sabores porque o teu sabor favorito é o meu. Tens um pequeno ritual do que fazes comigo e conheces a melhor posição para entusiasmar o meu corpo. Gostas de controlar as situações mas não dispensas que eu te ponha no teu lugar com um pouco de força bruta. Não te incomoda ficar magoada dos joelhos mas preferes estar deitada de lado, como se estivéssemos a fazer conchinha. Não te chateias que te bata, aliás, estimula-te quando o faço. Quando estás quase e te junto os joelhos ao peito, pedes-me mais intensidade. E quando tudo termina, desta ou de outra forma, tu sorris antes de me dar um beijo cansado.

                Admito que muitas vezes fazer amor contigo, não é mais que sexo. Mas esta sincronização corporal foi algo tão natural que nem precisamos de trabalhar nela. Surgiu como tudo o resto. E é por isso que recordar-te é tão fácil para mim como respirar. Fácil, essencial e vital.