Quando
me sinto longe de ti – tão longe de ti – fecho os olhos. Fecho-os porque é na
escuridão que te recordo de melhor forma. Vejo no meu corpo o mapa que
desenhaste e sorrio. Recordo todos os pormenores que me deste a conhecer ao
longo destes anos e tento enumera-los.
Tu
preferes quando os meus lábios chegam ao teu pescoço e sentes nele a minha barba. Gostas de explorar o meu corpo com a língua e nunca precisaste de outros
sabores porque o teu sabor favorito é o meu. Tens um pequeno ritual do que
fazes comigo e conheces a melhor posição para entusiasmar o meu corpo. Gostas
de controlar as situações mas não dispensas que eu te ponha no teu lugar com um
pouco de força bruta. Não te incomoda ficar magoada dos joelhos mas preferes
estar deitada de lado, como se estivéssemos a fazer conchinha. Não te chateias
que te bata, aliás, estimula-te quando o faço. Quando estás quase e te junto os
joelhos ao peito, pedes-me mais intensidade. E quando tudo termina, desta ou de
outra forma, tu sorris antes de me dar um beijo cansado.
Admito
que muitas vezes fazer amor contigo, não é mais que sexo. Mas esta
sincronização corporal foi algo tão natural que nem precisamos de trabalhar
nela. Surgiu como tudo o resto. E é por isso que recordar-te é tão fácil para
mim como respirar. Fácil, essencial e vital.