quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

sincronização



                Quando me sinto longe de ti – tão longe de ti – fecho os olhos. Fecho-os porque é na escuridão que te recordo de melhor forma. Vejo no meu corpo o mapa que desenhaste e sorrio. Recordo todos os pormenores que me deste a conhecer ao longo destes anos e tento enumera-los.

                Tu preferes quando os meus lábios chegam ao teu pescoço e sentes nele a minha barba. Gostas de explorar o meu corpo com a língua e nunca precisaste de outros sabores porque o teu sabor favorito é o meu. Tens um pequeno ritual do que fazes comigo e conheces a melhor posição para entusiasmar o meu corpo. Gostas de controlar as situações mas não dispensas que eu te ponha no teu lugar com um pouco de força bruta. Não te incomoda ficar magoada dos joelhos mas preferes estar deitada de lado, como se estivéssemos a fazer conchinha. Não te chateias que te bata, aliás, estimula-te quando o faço. Quando estás quase e te junto os joelhos ao peito, pedes-me mais intensidade. E quando tudo termina, desta ou de outra forma, tu sorris antes de me dar um beijo cansado.

                Admito que muitas vezes fazer amor contigo, não é mais que sexo. Mas esta sincronização corporal foi algo tão natural que nem precisamos de trabalhar nela. Surgiu como tudo o resto. E é por isso que recordar-te é tão fácil para mim como respirar. Fácil, essencial e vital.