Só
ontem me dei conta – não sei ser de outra pessoa senão teu. Tu não o sabes
porque eu não to disse mas é a verdade. Tudo parece mudar menos nós. E se o
fizermos, mudamos em conjunto como um todo. E isso é-me difícil de compreender.
Já estive com muitas pessoas desde que nos apercebemos que isto – este ciclo –
não tem fim mas lá no fundo é como se te sentisse em vez delas.
O teu toque
quase que ganha vida na mão de outras que não tu. O teu cheiro é quase real. E quase
que encontro o teu sabor. Desculpa, eu bem sei que isto não te agrada mas eu não
sei como reagir. Não sei como agarrar todo este sentimento e funciono desta
forma. Deixo-o caído por aí até que alguém o apanha por ti. Não sei até que ponto
uso a pessoa até me aperceber que isso não me irá satisfazer durante muito
tempo. Mesmo assim vou usando e abusando, sem qualquer sentimento de culpa,
inventando desculpas para o tornar aceitável. Recrio momentos que tive contigo
mas não és tu.
Lembraste
quando me disseste que gostavas o suficiente por nós os dois? Não o usei como
desculpa para fazer o que me apetecesse, não, mas nesse momento entendi que eras
minha. Fizesse o que fizesse. Estando com quem estivesse. Tu irias sempre
esperar porque sabias que eu iria voltar. Mas ontem, só ontem é que eu me dei
conta – eu também sou teu. E agora como é que resolvo isto?