A
culpa é, mais uma vez, minha. Eu sei que és assim e não evito. Vejo claramente
as semelhanças e não faço nada para contrariar os efeitos que têm em mim. Dá-me
gozo, até, como se estivesse a reviver um passado distante carregado de uma dor
muito ingénua. Dói, não tanto como antes, e incomoda de forma peculiar mas ao
menos dá-me algo em troca. Tanto que pedi por sentir que agora sinto uma
repetição de sentimentos. Não me posso queixar. Há coisas que nunca mudam…
terça-feira, 12 de novembro de 2013
struggle
Não
é estranho? Não me lembro da última vez que me senti verdadeiramente feliz.
Recordo momentos, isso é certo, mas esses foram há tempo demais para serem
verdadeiros. São agora memórias e eu aprendi a custo que as melhores
recordações são as que mais doem. Isto tornou-se uma rotina. Mesmo quando dou o
meu mais genuíno sorriso, sinto que me estou a enganar. A dor vive em mim como
um monstro que se apodera a qualquer momento. É uma teia que prende e
contamina. Um buraco negro que suga a força que me resta para caminhar. Se uma
vez disse que, embora ninguém o soubesse, havia dias em que desejava não
acordar, isso agora tornou-se uma constante. Ainda ninguém sabe, claro, mas já
nem consigo dormir. O sono tornou-se um sonho e quando o alcanço, sinto-me a sufocar.
Não sei dormir. Não sei estar acordado. Existo, de forma habitualmente
miserável mas não vivo. Nem sei que nome dar ao que faço no dia-a-dia. Tão
depressa vislumbro a negação como de repente me encontro no chão da casa de
banho a chorar às escondidas (quebrando antigas promessas).
Tenho
muitas dúvidas, sabes? Acho que sempre soube que ficaria assim. Só que agora
que o sou, não sei como manter esta peculiaridade que habita em conjunto com o
vazio do meu peito. E pior que isso, nunca pensei que chegasse o dia em que não
soubesse como acabar um texto por falta de palavras. Não tenho nada nem
ninguém. Mas isso é simples de perceber – se nem eu sou meu amigo, porque haveria
as outras pessoas de o ser?
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
dumb
Não sei o que
foi que me tornou assim mas infelizmente dou muito de mim a quem gosto – esta é
uma característica minha que não consigo evitar. Tenho vindo a aprender muito com
esta falha, é verdade, mas não aprendo o suficiente. Faço tudo pelas pessoas
que considero a minha família. Escolho-os primeiramente a tudo, inclusive a
mim, mas embora tenha aprendido com este erro, continuo a ficar magoado quando
noto que não me fazem o mesmo. Ridículo. Como posso ser tão frio para
certas coisas e ser tão frágil neste sentido? Não sou totalmente desprovido de
inteligência mas isto não tem qualquer explicação lógica. E isso deixa-me
vazio.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
.
Os
meus pensamentos devem seguir uma qualquer linha de destruição. São poucos os
dias em que a cabeça não lateja de ideias que me levam ao desespero. De tal
forma que o silêncio que abracei começa a gritar-me ao ouvido. Com ele descubro
que não consigo mais ficar sozinho porque as paredes prendem a solidão e não
quero voltar a conhecê-la. Descubro que pior que estar sozinho é sentir-se
sozinho mesmo na presença de alguém. E descubro que todas as minhas
inseguranças se tornam reais quando não consigo deixar de pensar nelas.
Mas
estes pensamentos gostam de mim. Da mesma forma que metade das pessoas que
conheço. A única diferença é que as pessoas abandonam-me; já eles ficam comigo
para me fazer companhia nesta tortura diária.- 30102013
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