Não olhas mais para mim. Não me faz diferença e tu sabes. Isso magoa-te de uma forma absurda e tentas escondê-lo. Falhas redondamente. Quase que consigo sentir através de ti e recordo-nos sempre que te vejo.
Cada momento é folheado como um jornal antigo e jogado para o lado: o nosso primeiro beijo sentados nos degraus do teu prédio; as fotografias que tiramos dos sorrisos momentâneos; as idas ao cinema em que tentavas desconcentrar-me do filme; a primeira vez que fizemos “amor” no banco traseiro do teu carro e as inúmeras vezes que se seguiram em locais cada vez mais perigoso; as vídeos que fazíamos com o meu antigo telemóvel que em diversas vezes parou a meio; o teu esforço para me manter interessado; a tua ilusão quanto aos meus sentimentos; o meu desinteresse cada vez maior; o nosso final.
Não sinto nada. E não devia ser assim. Podia dizer que houve um momento em que fui teu mas ia mentir. Não consigo aldrabar (nem tenho interesse nisso) e tentar mostrar-me culpado. Passo por ti da mesma forma que antes. Não fiz promessas nem ouvi as que fizeste. E, principalmente, não mudei. Julgas-me e condenas-me. Continua sem me fazer diferença e tu sabes.
Um comentário:
Encontras sempre as palavras certas afilhado, falas de uma forma clara que só não percebe quem não quer mas o melhor de tudo foi a última parte "E, principalmente, não mudei. Julgas-me e condenas-me. Continua sem me fazer diferença e tu sabes." Tanto que se julga que no fim de contas quem julga é a pessoa que mais perde. Perfeito mesmo.
Abraço
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