sexta-feira, 2 de setembro de 2011

trust issues. - part II

Mas naquela última vez em que me tocaste eu não te soube sentir. Fui frio como uma máquina. Agi como se fosses um hábito monótono. Foi algo mecânico. Enrolei-me em ti sabendo que aquela seria a última vez que te iria ter e nem pensei. Fui robótico, sem coração. Uma ponta do meu desdém tocava-te na sua forma agressiva e bruta e tu, sem imaginares que eu nem conseguia pensar em ti, entregaste-te a mim de forma completa. Depois, quando te senti apoiar a cabeça no meu peito para descansar, afastei-me de ti e peguei nos boxers jogados ao chão para me vestir. Não havia mais nada de mim para te dar. Não conseguia fingir que me eras importante embora eu supusesse que o merecias. Na cama, com um olhar curioso, sorriste e despediste-te de mim de forma magoada. Agarraste nas mantas, cobriste o corpo para que eu entendesse que a nossa intimidade tinha terminado e viraste-me as costas. Nunca soube se choraste, se não me quiseste ver partir, ou se te quiseste esconder de mim. Quando fechei a porta da tua casa senti alívio. Devia ter ficado destroçado por te ter destruído o coração, bem sei, mas eu nunca te tinha mentido. Em ti desvendei quilómetros de prazer e peço desculpa se não consegui compreender que eras humana e tinhas necessidades maiores. Querias entrar em mim da mesma forma que fiz contigo. Fotografar cada detalhe meu, fazer um inventário de cada peça do meu complicado puzzle e, quem sabe, conhecer o verdadeiro eu. Mas eu nunca te prometi isso, não. Por isso não me peças para sentir remorsos, nem isso sei.

2 comentários:

J'Alexandre disse...

Quero um 'Trust issues. -part III' !

J'Alexandre disse...

Ouve esta música: Switchfoot - You