sexta-feira, 30 de setembro de 2011

... any time now

Fui a única pessoa que conseguiu colar os teus pés ao chão e ensinar-te que não era preciso caíres para mostrares ao mundo que sempre te conseguirias levantar. E olha para ti agora – já nem eu te alcanço…

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Cuspir o teu nome ainda é o mesmo que tocar numa ferida acabada de fazer. É excruciante; como que se me rasgassem a pele. Involuntariamente os meus olhos mostram as profundezas do seu mar que se mantém congelado duros meses sem fim. Tremo do meu próprio frio e fujo do assunto como se nunca lhe tivesse tocado – como se nunca te tivesse tocado.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

trust issues. - part II

Mas naquela última vez em que me tocaste eu não te soube sentir. Fui frio como uma máquina. Agi como se fosses um hábito monótono. Foi algo mecânico. Enrolei-me em ti sabendo que aquela seria a última vez que te iria ter e nem pensei. Fui robótico, sem coração. Uma ponta do meu desdém tocava-te na sua forma agressiva e bruta e tu, sem imaginares que eu nem conseguia pensar em ti, entregaste-te a mim de forma completa. Depois, quando te senti apoiar a cabeça no meu peito para descansar, afastei-me de ti e peguei nos boxers jogados ao chão para me vestir. Não havia mais nada de mim para te dar. Não conseguia fingir que me eras importante embora eu supusesse que o merecias. Na cama, com um olhar curioso, sorriste e despediste-te de mim de forma magoada. Agarraste nas mantas, cobriste o corpo para que eu entendesse que a nossa intimidade tinha terminado e viraste-me as costas. Nunca soube se choraste, se não me quiseste ver partir, ou se te quiseste esconder de mim. Quando fechei a porta da tua casa senti alívio. Devia ter ficado destroçado por te ter destruído o coração, bem sei, mas eu nunca te tinha mentido. Em ti desvendei quilómetros de prazer e peço desculpa se não consegui compreender que eras humana e tinhas necessidades maiores. Querias entrar em mim da mesma forma que fiz contigo. Fotografar cada detalhe meu, fazer um inventário de cada peça do meu complicado puzzle e, quem sabe, conhecer o verdadeiro eu. Mas eu nunca te prometi isso, não. Por isso não me peças para sentir remorsos, nem isso sei.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

trust issues. - part I

Foi de forma minuciosa que entrei na tua alma. Toquei em todos os pontos de ti enquanto me arranhavas descontroladamente as costas. A tua respiração ofegante provocava em mim a mais surreal das reacções dançando pelo meu ouvido adentro, acariciando-o. A tua língua, velha conhecida, suave e húmida, viajava pela minha pele. Ocasionalmente trincavas-me a carne, rebentando de prazer na consequência dos movimentos. Estavas por todo o lado. Indefesa, entregue a mim na tua mais frágil forma de sentir; todos os teus segredos a nu. A minha atenção era tua pela primeira vez. Cada detalhe teu – o que te arrepiava ou o que te provocava cócegas – tornava-se meu. O teu cheiro fazia-me contorcer, mal aguentando a forma do que és. O tempo parava. Não havia pressas, não. O mundo lá fora não era o mesmo e esperava pelo nosso regresso, arrastando-se vagarosamente. Nos teus olhos, no silêncio dos nossos corpos, entregaste-me uma parte de ti. E em nenhum outro momento eu fui teu, como naquele.