Não conseguiria sentir outra coisa senão isto. Nem haveria sentido em tentar sentir algo diferente. Só não imaginei que todas as imagens que vi e puxaram memórias que estavam mal fechadas nas minhas gavetas me trouxessem isto. Uma dor insuportavelmente prazerosa que se tornou num nó que não cessa. Fiquei com a estranha sensação de que não me conseguia manter de pé porque o meu chão tinha sido tirado novamente, como se estivesse a viver tudo outra vez. As gargalhadas, as lágrimas, as partilhas, as desilusões. Mas vale sempre a pena. Viver tudo novamente mesmo que fique sem ar porque por momentos relembro-me de como era a vida quando ainda conseguia respirar. Mesmo que me afunde cada vez mais… sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
BVS? (epílogo)
Não conseguiria sentir outra coisa senão isto. Nem haveria sentido em tentar sentir algo diferente. Só não imaginei que todas as imagens que vi e puxaram memórias que estavam mal fechadas nas minhas gavetas me trouxessem isto. Uma dor insuportavelmente prazerosa que se tornou num nó que não cessa. Fiquei com a estranha sensação de que não me conseguia manter de pé porque o meu chão tinha sido tirado novamente, como se estivesse a viver tudo outra vez. As gargalhadas, as lágrimas, as partilhas, as desilusões. Mas vale sempre a pena. Viver tudo novamente mesmo que fique sem ar porque por momentos relembro-me de como era a vida quando ainda conseguia respirar. Mesmo que me afunde cada vez mais… terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
your ghost
O teu cheiro e as memórias estão por todo o lado. Nas paredes que toco enquanto vou percorrendo o corredor; na moldura com a tua fotografia sobre a mesa onde pões a chave de casa; na cozinha onde tantas vezes me perguntaste se tinha fome; nos sofás onde vimos inúmeros filmes; no telefone em que me ligaste sempre que quiseste… Aguento a ânsia de gritar por ti e caminho, sem acender a luz, sentindo com os dedos a parede despida, até chegar ao teu quarto. A porta está fechada, como sempre. Abro-a. Abro-a e vejo-me a cair. O chão está frio mas não tenho forças para me levantar. Vejo-te na cama, respirando pesadamente, de boca ligeiramente aberta. O teu cheiro é tão forte. E a dor que ele me causa também. É avassalador. Não conseguiria sair dali nem mesmo que quisesse. Sinto a escuridão tocar-te na cara e respiro calmamente a dor que me consome. Não me consigo mover. Esta sensação vagueia sobre mim como o teu fantasma. Quieta. Olho para ti uma última vez como que tentando criar forças para me levantar – olho para ti como se fosse a última vez. Despeço-me em silêncio, da mesma forma que sempre o fiz e, levantando-me, caminho de volta ao corredor. Em instantes consigo ver todos os melhores momentos da minha vida passarem por mim e, sem surpresa, noto que estiveste presente na maior parte deles. Tudo o que conheci tornou-se em tanto que desconheço, numa sombra. Embora caminhes comigo, mostrando-me a saída, dizes-me que nunca me irás abandonar. E eu que só queria acabar com toda a tua perenidade perco a coragem de te mandar embora. Ficas e ficas. Vagueando sobre a minha pele. Assombrando os meus sonhos e escutando os ecos do que já não te consigo dizer…
M.S.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
hopeless.
(...) Sei que se vivesse tudo novamente, não mudaria nem um segundo, mas se tivesse escolha, preferia nunca te ter conhecido. E a parte triste de tudo isto é que tu já sabes isso.
M.S.; 3 de Fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
RM.
Um dia – quando estiver a passar pelo mesmo que tu estás a passar – irei lembrar-me que tu és uma das pessoas mais fortes que conheço. Irei ouvir a tua voz dizer-me que tudo irá ficar bem e que te terei ao meu lado sempre que precisar. Sorrirei por um instante por sentir o teu apoio junto a mim e acreditarei, como de costume, na tua palavra. Mas, por agora, entrego-te de avanço tudo o que me irás dar. Mereces mundos e fundos. Espero que saibas que partilho a tua dor e que nunca deixarei que passes por isto sozinha. Estou aqui.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
pó
Sacudias-me o pó que trazia sobre os ombros como que aliviando uma dor que tão pouco acalmava. Era tudo uma farsa. O pó, pesado e quase insignificante, era o resto de um tempo em que eu e tu caminhávamos juntos, sonhando voar. Como podes tentar aliviar esta dor se, apesar de seres tu a sua causa, nem a conheces? Trazes um frio gélido contigo e eu não consigo evitar tremer por ti. Só esse pó, pesado e quase insignificante, que inalo e respiro, é verdadeiro. Só ele, depositado em mim, me relembra que para viver tenho que nascer outra vez. E desta vez, sem a tua ajuda.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
over and over again.
Mas esqueceste sempre de tudo o que passamos, e pior que isso, deixas-me reviver cada um desses momentos. Nem mesmo tu consegues apagar os teus vestígios e ainda, ainda sou teu.
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