Acordei para encontrar um bilhete no teu lugar. A cama que contigo ao meu lado sempre me pareceu pequena tornou-se num mar revolto de lençóis e cobertores que pusemos de parte quando o calor era muito. Uma brecha de luz matinal atingiu-me a cara e voltei-me, esfregando-a, para conseguir ler o bilhete que tinhas deixado. Lá, consegui ler uma palavra:
- Desculpa.
Era esta a palavra que dava início ao que devia ser uma longa e demorada reflexão de todos os motivos que tu e eu já conhecíamos e que não justificavam o facto de estarmos juntos. Não estávamos destinados. Não éramos almas gémeas – afinal como podes ser alma gémea de alguém, se já não te resta alma alguma? – E, certamente, não éramos aquilo que tínhamos sido quando resolvemos tentar pela quarta vez. Não me custou muito. Não ler o resto das tuas palavras ou saber que provavelmente nunca mais te iria encontrar. Eu já conhecia todas as tuas palavras. Todinhas. Cheguei a decorá-las com prazer para que conseguisse repeti-las e imaginar que estavas ao meu lado, sussurrando-me ao ouvido, fazendo-me arrepiar. As tuas palavras eram e sempre seriam minhas e isso bastava-me. E pouco me importava se nunca mais te iria encontrar. Num dos nossos dias, um daqueles que qualquer pessoa guarda dentro de si, tu foste totalmente minha. E eu fui teu. Ambos estivemos ligados de uma forma inexplicável. Mas, da mesma forma que nos entregamos um ao outro, também fugimos. Não me iria custar perder-te porque tudo o que tinhas sido para mim, já me tinha escapado pelos dedos.
Sentei-me então na cama. O meu corpo nu ainda tinha o teu doce aroma. O teu suor ainda estava presente no teu lado da cama e ainda conseguia sentir o teu calor no colchão. E então, contra todas as possibilidades, dei por mim a sorrir. Um sorriso demorado e glorioso. Daqueles que tu dizias gostar. Este era o final perfeito para o amor da minha vida. Nunca mais iria haver outra pessoa que conseguisse atingir-me da mesma forma que tu, e isso fazia-me feliz. Se não te podia ter ao meu lado, junto a mim, dando-me a mão, um abraço apertado, ou um beijo, então iria ter-te dentro do meu coração. Ocupando-o eternamente. Alojada na casa que te tinha acolhido e que não queria qualquer outra inquilina. Nada dura para sempre – era esta a realidade. Mas se eu pudesse escolher um momento que durasse para sempre escolheria este. Nunca pensei ver-te como te vi pela primeira vez, antes de me conheceres, antes de te apaixonares por mim, antes de me entregares a tua alma e me fazeres jogá-la fora. Radiante como só tu conseguias ser. E hoje, ao acordar, vi-te como se nunca te tivesse visto e isso fez-me entender que nunca seria o que sou sem te ter tido na minha vida.
- Eu é que peço desculpa… - Disse, desejando que me pudesses ouvir, enquanto me levantava e me preparava para o resto da minha vida sem ti.
- Desculpa.
Era esta a palavra que dava início ao que devia ser uma longa e demorada reflexão de todos os motivos que tu e eu já conhecíamos e que não justificavam o facto de estarmos juntos. Não estávamos destinados. Não éramos almas gémeas – afinal como podes ser alma gémea de alguém, se já não te resta alma alguma? – E, certamente, não éramos aquilo que tínhamos sido quando resolvemos tentar pela quarta vez. Não me custou muito. Não ler o resto das tuas palavras ou saber que provavelmente nunca mais te iria encontrar. Eu já conhecia todas as tuas palavras. Todinhas. Cheguei a decorá-las com prazer para que conseguisse repeti-las e imaginar que estavas ao meu lado, sussurrando-me ao ouvido, fazendo-me arrepiar. As tuas palavras eram e sempre seriam minhas e isso bastava-me. E pouco me importava se nunca mais te iria encontrar. Num dos nossos dias, um daqueles que qualquer pessoa guarda dentro de si, tu foste totalmente minha. E eu fui teu. Ambos estivemos ligados de uma forma inexplicável. Mas, da mesma forma que nos entregamos um ao outro, também fugimos. Não me iria custar perder-te porque tudo o que tinhas sido para mim, já me tinha escapado pelos dedos.
Sentei-me então na cama. O meu corpo nu ainda tinha o teu doce aroma. O teu suor ainda estava presente no teu lado da cama e ainda conseguia sentir o teu calor no colchão. E então, contra todas as possibilidades, dei por mim a sorrir. Um sorriso demorado e glorioso. Daqueles que tu dizias gostar. Este era o final perfeito para o amor da minha vida. Nunca mais iria haver outra pessoa que conseguisse atingir-me da mesma forma que tu, e isso fazia-me feliz. Se não te podia ter ao meu lado, junto a mim, dando-me a mão, um abraço apertado, ou um beijo, então iria ter-te dentro do meu coração. Ocupando-o eternamente. Alojada na casa que te tinha acolhido e que não queria qualquer outra inquilina. Nada dura para sempre – era esta a realidade. Mas se eu pudesse escolher um momento que durasse para sempre escolheria este. Nunca pensei ver-te como te vi pela primeira vez, antes de me conheceres, antes de te apaixonares por mim, antes de me entregares a tua alma e me fazeres jogá-la fora. Radiante como só tu conseguias ser. E hoje, ao acordar, vi-te como se nunca te tivesse visto e isso fez-me entender que nunca seria o que sou sem te ter tido na minha vida.
- Eu é que peço desculpa… - Disse, desejando que me pudesses ouvir, enquanto me levantava e me preparava para o resto da minha vida sem ti.
M.S.