the last dream.
Por ler palavras que queria que tivessem sido nossas, escrevi outras em que tu não participarias ou saberias. Li-as como que embebido num estado febril. Elas doeram de verdade como se tivessem mesmo sido ditas por ti. Parecia que estava a recordar alguma coisa que ficou num baú, guardado num canto de um sótão qualquer, embrulhado num lençol empoeirado. Escrevi então para acalmar a ânsia de saber que nenhum texto consegue superar ou explicar na totalidade o que já fomos. E porque me foi dito que os sentimentos estão acima das palavras, eu tentei encontrar-te nelas. Trazer de volta o cheiro primaveril que existia no ar sempre que tu entravas numa divisão, o calor com que o teu sorriso me envolvia e todas as peripécias que nos formavam. Mas, no fim, eu desisti de repetir palavras. Deitei-me no que quis que me tivesses dito e sonhei uma outra vez. Sonhei com a última vez que sonharia contigo – e esse foi o melhor sonho da minha vida.
M.S.