quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ironia.

Há tanto tempo que isto não me acontecia – Perder aulas inteiras a pensar em ti. Durante horas encontrei memórias que me deixaram cego. Não consegui ver mais nada para além da tua monstruosa presença. Tão esmagadora, tão imponente e tão sem sentido. Perdi o rumo enquanto me via, como que do lado de fora, com um sorriso melancólico de quem se tinha perdido pela milésima vez e pouco se importava com isso. E passado todo esse tempo entendi que não tinha pensado em ti o suficiente. Contudo, embora não tenha sido o suficiente, nem chegou a ser meramente satisfatório. Tanto fez pensar em ti ou não. Continuas longe de tudo. Longe do meu céu, das minhas estrelas, do meu calor. E sim, eu podia muito bem ficar horas a pensar em ti sem me queixar, mas não sobreviveria. Cada segundo que perco a pensar em ti faz-me esquecer de que me roubaste o oxigénio e quão difícil é para mim tentar agarra-lo.
E, no final, não me posso deixar de rir desta ironia. Como me pudeste ensinar a viver se te esqueceste de me explicar como o fazer sem ti?


M.S.

Um comentário:

Jane Doe disse...

Já que me ligas propositádamente para te vir fazer um comantário ao blog 8) Só por isso, mereçes a honra de o ter. ahah (a) está grande, mas não tão grande como a fotografia que postaste tirada por mim, e claro que mesmo sendo um dos teus grandes textos, nunca chega a ser tão grande como tu :) 'E, no final, não me posso deixar de rir desta ironia. Como me pudeste ensinar a viver se te esqueceste de me explicar como o fazer sem ti?'.. acho que não preciso dizer mais nada. <3