quarta-feira, 17 de novembro de 2010

fogo

O teu nome tem sempre a estranha tendência de circular sobre o oxigénio que respiro. Ouço-o, como se fosse a última vez, e fujo. Contorno-o como um obstáculo e repito-o com uma falsa naturalidade. Quase que o cuspo. Arranco-o do peito como alguém que finalmente cedeu a uma lesão duradoura e deixo-o caído no chão. Fico então sem a noção do tempo. Tanto me importa se ele foi cuspido há três séculos atrás ou se acabou de ser. Rara é a vez em que a ténue indiferença se nota na minha voz amargurada – não é contigo que falo, mas é a ti que me dirijo – e é sempre com controlo que faço desaparecer o ligeiro pesar do fogo que me queima. Mas eu sinto-o, e sinto até demais.

2 comentários:

Jane Doe disse...

exacto. <3 grande

J'Alexandre disse...

'O teu nome tem sempre a estranha tendência de circular sobre o oxigénio que respiro.' Gosto! :C