É tarde de mais, não é? Agora, nada do que eu diga vai apagar o que me fizeste. Nada irá mudar o facto de tu teres sido a maior desilusão da minha vida. Eu sei que devia ter arranjado a coragem necessária para quebrar o casulo que construíste em meu redor e libertar todo este acumular de palavras que ainda habita em mim mas não foi isso que eu fiz. Eu continuei preso em ti. Já nem conseguia olhar para teus olhos, que antes me prendiam ao chão, mas abandonar-te era algo que, na altura, me parecia impensável. Tornou-se numa ideia repugnante que me fazia sentir sujo e indigno de ti. E no entanto, eu conseguia ver tudo o que éramos a desaparecer a olhos vistos. Foi nessa altura que me tentei libertar para te acordar dessa estranha vida que agora vivias sem mim. Mas eu estava atado a cordas que, sem saberes, me enforcavam. Então, eu deixe-me ficar, sem coragem para me mexer com medo de voar para longe de ti ao invés de voar para ti, para te trazer de volta a mim. Quando finalmente deixaste afrouxar o teu poder, eu levantei-me e olhei pela primeira vez em muitos anos para os teus olhos. Não os reconheci. Pensei em dizer tudo o que tinha ficado entalado na garganta com o passar do tempo mas não encontrei essas palavras. Vi que tudo o que tinhas sido tinha desaparecido por completo. Tinhas-te, de facto, tornado numa outra pessoa. Fixei-me em todas aquelas cruéis diferenças e fiquei, mais uma vez, mudo. Até hoje, até sempre...
M.S.; 12 de Agosto de 2010
4 comentários:
amo essa fotografia *.* GRANDE texto! até amanhã.. ;c
mas que LINDO.
Bonita fotografia.
não tenho vindo aqui.
mas adorei ler isto. :)
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