sexta-feira, 25 de junho de 2010

desenho(s)

No outro dia descobri dois desenhos teus. Dois pedaços de papel amarrotados e insignificantes. Estavam por baixo de um molhe de papéis que me diziam nada e já nem me lembrava que os tinhas feito. Confesso que nunca gostei do que desenhaste. Dizia que estavam bons, só para te fazer a vontade, mas conseguia ver cada imperfeição nos riscos que fazias sem deixar a mão tremer. Desenhavas de uma forma muito peculiar, muito tua, e apesar de eu dizer que desenhavas bem e não ser inteiramente verdade, via a tua alma nesses teus desenhos. Aliás, via a tua alma em tudo o que fazias ou tocavas. E era por isso que eu encontrava sempre a minha alma quando estava contigo. O teu toque, que comandava a vontade do tempo, enchia-me de força mesmo sem encostares um dedo em mim. Cada linha, cada borrão, era um pouco de ti e mais uma vez encontrei um pouco de ti espalhado pelo meu quarto. Mas fingi que não o vi. Voltei a arrumar a desordem de papel e voltei a colocar os desenhos por baixo do molhe em que se encontravam antes de serem descobertos. Esperando, como eu, pelo teu toque. Para que me faças descobrir a minha alma novamente.

M.S.;23 de Junho de 2010

Um comentário:

Rita disse...

a historiadora gosta desta foto 8-)