terça-feira, 13 de abril de 2010

sweet, sweet home

Se eu soubesse que um dia, ao chegar a casa, me iria doer as entranhas devido a toda a tralha que juntamos, nunca te teria deixado persuadir-me a colecionar-te até à exaustão. Foram muitas memórias criadas do zero, muitas fotografias espalhadas por uma parede que devia ter ficado em branco, muitos objectos que passaram de prendas a algo doloroso de olhar. Se eu soubesse que um dia, ao chegar a casa, iria morrer por cada vez que olhasse para algo, teria-te pedido para me cegares permanentemente. Teria-te pedido para me roubares de vez os sentidos e para me deixares viver, agora que te foste. Estás em tudo. Nos casacos velhos que habitam no meu guarda-fato, nos frascos de perfume que acumulam pó em cima da cómoda, e até na janela do meu quarto onde tatuaste episódios inesquecíveis. Que posso eu fazer de mim se já só restam vestígios de ti?
M.S.; 12 de Abril de 2010

3 comentários:

Cat disse...

É preciso ser muita bom para escrever um destes. :D

Yirien disse...

Gostei bastante deste texto.

Rita disse...

este é grande, gigante, tem três metros de altura :c *Émanzinho