quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sol (Palavras Ao Vento)

Nasceste num dia que nasceu para me atormentar. Um dia de tempestade que roubou forças ao sol e me entregou o vento que só soube empurrar a minha alma para aquele teu deserto. Não pude fazer nada, não havia como te impedir de entrar na minha vida. Foste colhendo dias malditos para me sufocar e comprimiste todos os meus últimos suspiros para mais tarde os soltares numa planície qualquer, bem longe de nós. O tempo esqueceu-se de mim e tu esqueceste-te com ele. Eu fiquei preso nesse deserto de ausências que tu és e os dias malditos que colheste chegaram, terrívelmente monstruosos. O vento que me empurrou, reconheço agora como todos os últimos suspiros que soltaste numa planície qualquer e que me recordam que estou aqui. Perdido num dia qualquer que destruíste e que me marcou infinitamente. Perdido num mar que perdeu a sua água, sofrendo pela falta de vida e de calor. E, a ironia do destino, ainda ontem tentei recordar o calor do sol e só em ti eu pensei...
M.S.

2 comentários:

RuiQ disse...

Adoro as metáforas que fazes. «Não pude fazer nada, não havia como te impedir de entrar na minha vida.» Às vezes é mesmo esse o sentimento. Por mais que não se queira, não há volta a dar.

Quanto a sonhar, dói tanto que às vezes mais vale não acordar.

PR" disse...

"E, a ironia do destino, ainda ontem tentei recordar o calor do sol e só em ti eu pensei..." Opahhh... *.*