sábado, 10 de abril de 2010

Custo a respirar. Ouço o que me dizes e tento manter a minha cara livre de expressão. Não te mostro o quanto estou a sofrer e o quanto me custa prender as lágrimas dentro de mim. Ouço o que me dizes e tento manter a minha cara livre de expressão. Não quero que me vejas triste quando és a personificação da tristeza. As tuas palavras apunhalam-me o peito que tanto desespera por descanso, mas eu mantenho a mesma expressão de quem não vê. E não vejo. Tudo começa a ficar desfocado. Fecho os olhos com força, sem que vejas, mas é indiferente. Os meus olhos estão secos. Ainda ouço o que me dizes e tento manter a minha cara livre de expressão. Não respiro. Cada músculo do meu corpo concentra-se para me manter indiferente impedindo-me de respirar e, quando finalmente o consigo fazer, não é suficiente. Não cura a dor; a dor que tu me contas. Mas mesmo sem conseguir respirar ou ver, eu não sinto: habituei-me a esta sensação de dor que se tornou banal. Perguntas-me algo e a minha voz nem treme, responde como se nada fosse. É neste ponto que me pergunto se te estou a magoar, se a minha aparente indiferença te faz ficar pior, e tento mostrar compaixão. Nada. Fico calado e continuo a ouvir o que me dizes. Sim, estás mal e agora noto que sinto a tua dor, mas a minha cara continua livre de expressão. Não sei fazer melhor, é esta a minha definição de força e podes apostar que não me vais ver chorar quando preciso de limpar as tuas lágrimas primeiro. Desculpa.