Carrego no peito um cansaço que me empurra para o chão e, inevitavelmente, ouço com frequência o silêncio que se acumulou nas finas paredes que me protegem. Ele diz-me tanto. Fecha-me as pálpebras e consegue libertar a minha alma, deixando-a navegar pelas nuvens enquanto o barulho estridente teima em incomodar os meus ouvidos. Mas, o barulho é tudo o que ouço quando o silêncio me foge e eu não consigo reagir de outra forma. Fico apático. Deixo que o barulho me perfure os tímpanos e fico quieto no meu canto, esperando pelo regresso do silêncio. Nestes momentos, a culpa tenta entrar em mim. Não devias sentir alguma coisa? - diz ela. E eu não lhe respondo. Estou cansado em demasia para responder ou sentir seja o que for. Fico num canto qualquer, com o peso que se apoderou do meu coração, tentando esquecer que o doce silêncio fugiu de mim mais uma vez. Estou tão cansado...