É estranho. Nunca estive tão errado sobre alguém na minha vida, como estive sobre ti. Muitas vezes, confesso, surpreendias-me. E apesar de algumas vezes ter sido pela negativa, eu soube que tinhas feito o melhor para ti e, de alguma forma, consegui ouvir as tuas desculpas (o que não quer dizer que te tenha perdoado.) Hoje, por razões que acumulam a inúmeras outras, olho para ti com uma tamanha indiferença que até chega a doer. Como chegamos a isto? (...) Já suportei mentiras tuas, ou até mesmo balas que julgaste certeiras, mas nunca, repito; nunca pensei que me desiludisses tanto. (...) Sempre que tentas deslocar-te, só fazes pior. Faz um favor a ti própria e deixa de tentar. Não quero ter mais pena de ti.
quarta-feira, 31 de março de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
everything
Cheguei a casa depois de te ter deixado. Em comparação com o barulho que tinhamos feito antes, a casa encontrava-se num silêncio total. O portátil estava onde o tinhas deixado, perdido nas mantas da cama por fazer e esperando por alguém que o desligasse. Deitei-me de barriga para baixo e pus a almofada entre a garganta e o queixo para conseguir ver o que estava a fazer. Foi então que senti o teu cheiro. Tão forte como se tivesses ali deitada comigo outra vez. A minha almofada era navegada pelo teu aroma, tão doce como o do teu cabelo, e isso fez-me sorrir. "Se há cheiro que merece ser gravado, é o teu." - digo para mim mesmo, como se me conseguisses ouvir. Mas tu consegues, assim como também consegues entender que ele já está gravado em mim. Dou conta de que já não sorria assim há algum tempo. De uma forma tão pura e verdadeira. E, se me bastou o teu cheiro para me fazer sorrir, imagina o que sinto quando estás comigo... Ainda tens dúvidas?
29.03.10
segunda-feira, 29 de março de 2010
sombra
M.S.; 2009
domingo, 28 de março de 2010
Crónicas de um Pé Idoso - Parte 1
Eu gosto de correr. Ou melhor, gostava. Aquela sensação incrível de liberdade que enche os pulmões de ar puro e que nos faz atingir o limite enquanto a suave brisa refresca a nossa face coberta de suor miúdo, fazia-me rejuvenescer. Tinham que me relembrar constantemente para eu abrandar o passo ou eu correria ao ritmo da batida que estivesse a tocar no meu mp3. No fim, iria sentir as queixas dos músculos das pernas e pararia a "maratona" para lavar toda a liberdade que tinha a escorrer pelo corpo. Eu ainda gosto de correr, e muitas vezes tento fazê-lo, mas esqueço-me sempre que o meu pé esquerdo já fez 80 anos. A fisioterapia não lhe faz grande efeito. O teimoso queixa-se até de andar e eu que o sinta. Já lhe expliquei que não são as suas queixam que me doiem mas ele não me dá um descanso. Incha ao mínimo mortal e rejeita as ligaduras que o tentam proteger. Oh, que hei de fazer contigo? Podes parar de te queixar? Eu quero correr, saltar, até mesmo andar sem que te queixes. Ouves-me a gritar contigo? Não me pareçe que ouças as vezes que reclamo mentalmente o meu direito a andar normalmente, ou correr, ou fazer desporto como antigamente, pois não? Sim, eu sei; a culpa não é tua mas também não é minha. E agora, diz-me, estou a pagar pelos erros de quem? Enfim, tenho saudades de correr sabes?
sábado, 27 de março de 2010
Adeus, finalmente.
sexta-feira, 26 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Eternity and a day
Um dia irei escrever um livro sobre ti. Irei ganhar coragem para reunir todas as palavras que são tuas mas que se recusam a partir, e fecharei o capítulo da minha vida que tem o teu nome como título. Quando te entregar o manuscrito, olharei nos teus olhos e não precisarei de mais palavras. Sorrirás tristemente e saberei que finalmente consegui entregar-te toda a saudade que habita em mim. Na tua forma corporal, verei todos os bagos de areia que juntos já pisamos e ouvirei no teu silêncio o riso que o vento tentou levar. Relembrarei o sol de Verão que nos aqueceu e a tua cabeça no meu ombro, molhando a minha blusa. Sentirei o teu abraço apertado e a relva por baixo dos meus pés enquanto vagueavamos pelas colinas do campo. No dia em que te conseguir passar de forma total para o papel saberei que chegou o fim. E nesse fim, tu serás a minha maior lembrança. Bem sei que não irás ler uma palavra e então, como te conheço, planearei uma capa que transborde de cor e um título que te faça entender todas as palavras que precisas de saber. Uma palavra que te diga tudo o que quero dizer.
Então, quando esse dia chegar, eu virar-te-ei as costas e sentirei o sol bronzear a nossa pele uma última vez. Em ti imaginarei o mundo e partirei para outros planetas. Sempre caminharás no meu peito e, quando finalmente conseguir reunir todas as peças que nos formavam e que se perderam ao longo do tempo, verei que tinha razão. Já não existes. Levantarei a cabeça e sem me despedir de ti saberei que entendeste. Todas aquelas palavras foram a minha forma de te deixar partir. Até lá, permaneço numa memória carregada de palavras por dizer. Vagueando nos dias de Verão em que as 24 horas eram insuficientes ou nos dias de Inverno que chamavam por ti. Um dia irei escrever um livro sobre ti... Prometo.
Então, quando esse dia chegar, eu virar-te-ei as costas e sentirei o sol bronzear a nossa pele uma última vez. Em ti imaginarei o mundo e partirei para outros planetas. Sempre caminharás no meu peito e, quando finalmente conseguir reunir todas as peças que nos formavam e que se perderam ao longo do tempo, verei que tinha razão. Já não existes. Levantarei a cabeça e sem me despedir de ti saberei que entendeste. Todas aquelas palavras foram a minha forma de te deixar partir. Até lá, permaneço numa memória carregada de palavras por dizer. Vagueando nos dias de Verão em que as 24 horas eram insuficientes ou nos dias de Inverno que chamavam por ti. Um dia irei escrever um livro sobre ti... Prometo.
M.S.; 7 de Março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
Descubra as diferenças
A verdade é a seguinte: custa-me quando ouço falar de ti. Espera, deixa-me explicar melhor: custa-me quando ouço falar de nós. Geralmente, quando os nossos passos caminham para lugares diferentes e nos cruzamos num meio indefinido, sou o primeiro a procurar o teu olhar e o teu sorriso. É-me fácil passar por ti e cumprimentar-te mesmo quando tiveste uma tamanha magnitude na minha vida e, de seguida, me partiste ao meio. É fácil, juro. Mas, quando ouço da voz de outras pessoas o quanto ficas diferente com a minha presença, custa-me. Dizem " Devias ver como ela fica ao pé de ti!" e isso dói. Dói porque foste tu que me partiste ao meio e não tens motivos nenhuns para mudar. E sim, o planeta pode explodir que mesmo assim somos iguais, mas isso não muda nada. Hoje sou tão diferente para ti como tu és para mim, por isso não piores a situação. Agarra a mão que te prende e deixa a minha fugir de ti. Sim, tenho saudades tuas mas a verdade é a seguinte: por muito que custe, estou bem melhor assim.
20.03.10
sábado, 20 de março de 2010
Comboio
Sento-me no primeiro banco que encontro. A estação de serviço está envolta numa multidão barulhenta. Pessoas que, de passo apressado, se dirigem para um sítio qualquer. Eu olho para esta multidão mas não vejo ninguém nas caras desconhecidas que me rodeiam. Ouço o som do comboio, ao longe, constante como o bater da chuva no telhado de vidro que me protege. Esperei tanto tempo por ti. E, enquanto estive sentado, o mundo mudou contigo. Tornou-se escuridão de ténue neblina que maltrata o coração. A multidão, tão apressada para chegar ao seu destino, desapareceu e eu nem notei. Tu não chegas, e eu continuo aqui, porque tu és o meu destino.
M.S.; 12 de Março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
a primeira vez.
Pela primeira vez na vida, não quis ficar contigo. Foi torbulento. Sei que ouviste palavras que te magoaram e consigo imaginar o que sentiste porque também eu as ouvi. Atingiram-me como choques eléctricos que me deixaram estendido no chão, sem ar. Mas eu prefiro fugir. Cobardemente, fecho a porta do quarto na esperança de não ouvir mais. É em vão. Não tenho reaçcão alguma e nem tenho vontade de acalmar os animos. É-me indiferente. Não faço mais nada. Fico parado no meio do quarto, a olhar para a parede vazia e espero pelo silêncio de ouro. Quando finalmente ele chega, tu chamas-me. Comunico contigo através de acenos de cabeça mantendo os olhos no prato de comida que não quero. Tu ouves o meu silêncio e em vez de lhe responderes, falas. Ou melhor, culpas-me. Acusas-me de ser fechado. Digo-te uma única frase e logo tu bombardeias-me com inúmeras palavras. Dizes "Podes ir!" mas eu não vou. Não quero estar ali mas nem forças tenho para me levantar. Aguento. "Eu estou bem... Eu aguento até rebentar." Ouço cada palavra com desespero, chamando o teu silêncio. Transformas-te numa pessoa cruel e mais uma vez é-me indiferente. Espero. Penso, "Que assim seja, que a culpa seja minha!" A tua crueldade irá passar e irás ver o erro que cometeste. Até lá não vou mais estar, e certamente que não te irei ouvir mais. Espero que voltes rápido.
06.03.10
06.03.10
sábado, 6 de março de 2010
(quase) feliz
... E a chuva não pára. Fica em mim tentando ocupar a tua ausência, chorando a seca dos meus olhos indiferentes. Ouço-a enquanto ela tenta silênciar a tua voz cravada em mim, mas a surdez que propagas é cruel e nada mais existe. Tem chovido em mim tudo o que não quero, e quem me derá que tudo isto não fosse outra metáfora qualquer que te oculta em palavras bonitas, mas os dias de água longa libertam mares em mim que não sei navegar. E já nem esta chuva te consegue levar para longe de mim. E já nem a presença da tua ausência me consegue deixar (quase) feliz.
quarta-feira, 3 de março de 2010
(...) You do something to me that I can't explain, so would I be out of line if I said "I miss you"? I see your picture, I smell your skin on the empty pillow next to mine. You have only been gone ten days, but already I'm wasting away. I know I'll see you again, whether far or soon, but I need you to know that I care, and I miss you.
Incubus - I miss you
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