Pela primeira vez na vida, não quis ficar contigo. Foi torbulento. Sei que ouviste palavras que te magoaram e consigo imaginar o que sentiste porque também eu as ouvi. Atingiram-me como choques eléctricos que me deixaram estendido no chão, sem ar. Mas eu prefiro fugir. Cobardemente, fecho a porta do quarto na esperança de não ouvir mais. É em vão. Não tenho reaçcão alguma e nem tenho vontade de acalmar os animos. É-me indiferente. Não faço mais nada. Fico parado no meio do quarto, a olhar para a parede vazia e espero pelo silêncio de ouro. Quando finalmente ele chega, tu chamas-me. Comunico contigo através de acenos de cabeça mantendo os olhos no prato de comida que não quero. Tu ouves o meu silêncio e em vez de lhe responderes, falas. Ou melhor, culpas-me. Acusas-me de ser fechado. Digo-te uma única frase e logo tu bombardeias-me com inúmeras palavras. Dizes "Podes ir!" mas eu não vou. Não quero estar ali mas nem forças tenho para me levantar. Aguento. "Eu estou bem... Eu aguento até rebentar." Ouço cada palavra com desespero, chamando o teu silêncio. Transformas-te numa pessoa cruel e mais uma vez é-me indiferente. Espero. Penso, "Que assim seja, que a culpa seja minha!" A tua crueldade irá passar e irás ver o erro que cometeste. Até lá não vou mais estar, e certamente que não te irei ouvir mais. Espero que voltes rápido.
06.03.10
06.03.10
Um comentário:
A qualidade de sempre. Já tardava em vir mais um :P
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