domingo, 24 de janeiro de 2010

Post-Scriptum

Ainda (te) escrevo. Vagarosamente, pesadamente, dolorosamente. Afirmo a tua incrédula personificação para além do que és e caiu vertiginosamente no teu engano peculiar. Descrevo cada pedaço que reparti com quem o pisou e transcrevo-o ao teu destinatário. Recebes e jogas fora. Nunca tantas palavras de mim para ti te fizeram um maior aborrecimento. É muito do que é demais e o que é em demasia é sempre teu. Palavras, frases, vírgulas e nunca pontos finais. Um eterno P.S. do que nunca te escrevi depois. Não leste, lês ou lerás e é por isso que ainda (te) escrevo. Para que no meio de todos os tempos verbais, palavras, frases, textos, números, abreviaturas ou vírgulas, te lembres que o ponto final existe apenas na tua caligrafia medonha e carregada de erros ortográficos. Pertence-te o que jogas fora. O que vem depois está nas minhas mãos, lembra-te/me disso.

M.S.;2009

5 comentários:

PR" disse...

O que vem depois é sempre nosso.. Independentemente do resto. :)

RuiQ disse...

Tão grande :D

Também tenho nos meus rascunhos um texto com este título mas o conteúdo tem muito pouco a ver.

«Para que no meio de todos os tempos verbais, palavras, frases, textos, números, abreviaturas ou vírgulas, te lembres que o ponto final existe apenas na tua caligrafia medonha e carregada de erros ortográficos»

[[]]

Mariana disse...

«É muito do que é demais e o que é em demasia é sempre teu.» és fantástico naquilo que escreves.

-tânia disse...

"te lembres que o ponto final existe apenas na tua caligrafia medonha"
Os fins deveriam existir e vir para os dois, e nunca para uma parte apenas, é difícil aceitar que ainda temos tanto para dar a quem já não quer receber,
Fascina-me sempre o que escreves, é incrível!

ritinha disse...

o que vem depois é teu e poderá mudar-te ! :) vive isso !!