segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

retenho-te

Reti tanta coisa de ti. Detalhes insignificantes que amaldiçoam cada dia da minha existência. Impurezas que me impedem de respirar; feridas que se acumulam em mim e se propagam impedindo-me de gritar por ti. Reti tanto que a enorme cicatriz em que me tornaste já não faz apenas parte de mim, em vez disso passou a ser-me de uma forma completa e dolorosa.

Há dias em que ainda ouço a tua voz e a minha memória representa-te numa conversa que parece ter sido ontem. Mas não foi ontem. Foi há tanto tempo que preferia nem saber quando foi (e o problema já nem é a de ter esta memória que deposita pormenores que em nada me são favoráveis). O verdadeiro problema reside na tua permanente existência e na minha incapacidade de te mandar embora (mesmo quando vais, sem mim). Retenho-te para saber que foste mais do que és, mas isso não me chega.

M.S.; 11 de Outubro de 2009

3 comentários:

-tânia disse...

MAIS QUE PERFEITO :$

Mariana disse...

tens magia em todas as palavras, toodas!

RuiQ disse...

É como ter uma faca espetada e alguém que constantemente lhe mexe.