Senta-te aqui ao pé de mim, pelo menos. Deixa-me encostar a cabeça no teu ombro e deixar escorrer as nossas lembranças. Opostamente ao que fomos, adormeço na dor. Mergulho em sonhos do que já quisemos ser, abrindo portas por onde não fui antes. Ouvi-te, pensando que se tão longe te encontravas, para quê chegares tão perto ao ponto de me fazeres sangrar. A ilógica superou-me. Escrevi. Acordei, para um novo pesadelo; um novo dia. Olhei para ti, (já) não choravas. Olhaste apenas. Já percorremos longos caminhos, já não somos o mesmo. Separamo-nos por entre estradas que não conhecíamos e sim, estamos muito longe. Mas, por mais quilómetros que estejas de distância de mim, não consigo ignorar quando ainda sinto o teu ombro na minha face. Esvaziei tudo, não houve mais memórias por esta noite. Só tu e eu, num canto nosso. Já choraste comigo, hoje limitaste a ver-me chorar, e não fazes mais nada. Continua a olhar, e vê-te em cada gota que cai dos meus olhos. Persegues-me para todo o lado, tornando cada novidade num hábito já passado, só nosso.
Calei as palavras que te quis dizer. Todos os segredos foram mais uma mentira que propuseste sem querer. Se tens que ir vai, mas fica um pouco mais. Volta por momentos com o que fomos. Chora comigo, ouve-nos, faz-nos sorrir como só tu consegues, por favor. Deixa-me ser feliz contigo uma última vez, depois vai e contigo leva o meu coração. Já não vou precisar dele.
(Texto publicado na revista “Domingo” do Correio da Manhã, na semana de 21.09 até 27.09.08)
Um comentário:
Este texto está maravilhoso '.'
Não há mais nada a dizer!
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