sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ausente.

Caminhei pela rua, sem destino. O vento era forte mas não conseguia levar tudo o que sentia naquele momento. O frio era muito, mas nem ele parava as lágrimas que me corriam pelos olhos. Sabia que era o fim. De tudo. Ouvi o rugido da chuva, longe, e logo senti a água gelada a queimar-me o corpo. O meu coração batia forte mas não se deixava ouvir; até ele desejava parar, morrer. Inconscientemente, ouvi-te, senti-te, cheirei-te e vi-te, mas sabia que não estavas ali. Não irias voltar mais. A multidão cruzava-se comigo na marginal e as luzes dos táxis que passavam por mim despertavam-me momentaneamente. Não sentia as minhas pernas e o tremer do meu corpo. Tudo estava às escuras, e eu caminhava cego. Aquela frase repetida na minha cabeça ensurdecia tudo o que me rodeava, gritava o meu desespero: “Não vais voltar…”. Dei por mim parado a caminhar num mar de apatia com a chuva tentando acordar-me, enquanto me afogava sem querer. Mas eu não acordei. Deixei que ela me afogasse e senti a dor a escorrer nas minhas veias sem saber onde te encontrar para curares a minha ferida. Ainda não a curaste. Ainda não voltaste.

M.S.

2 comentários:

Suu disse...

oh, muito obrigada :$
não tens de pedir desculpa, serás sempre bem-vindo :)

Amei este texto, sinto-me tão igual *.*

Mariana disse...

"Mas eu não acordei. Deixei que ela me afogasse e senti a dor a escorrer nas minhas veias sem saber onde te encontrar para curares a minha ferida. Ainda não a curaste. Ainda não voltaste."

senti-me no mínimo arrepiada, *.*