sexta-feira, 19 de junho de 2009

Palma da mão

Caí no erro de te recordar. Acontece sempre que me sinto fraco e sem vontade de acordar de todos os pesadelos que tenho. Procuro-te para saber que um dia esses pesadelos eram uma mera insignificância, para me lembrar da força que me davas. Hoje estou num desses dias, num dos dias em que caiu no erro de te buscar aos confins fechados de todas as minhas memórias. Naquela gaveta que não abria há tanto tempo. A maior gaveta de todas e, no entanto, a mais afastada para que não lhe consiga tocar.

Ao cair no erro de te recordar eu abri essa gaveta, e de lá saltaram turbilhões de palavras, restos de conversas, imagens dolorosas e as mais felizes de sempre e até tu investiste numa fuga. Bloqueaste a gaveta de modo a que não a conseguisse fechar e nem foi preciso. Tive vontade de te recordar. É sempre esse o meu erro. Quero que entendas que diga o que eu disser, tu continuarás a conhecer-me como a palma da tua mão e essas palavras nunca sairão desta gaveta. Por longos anos que passem, há coisas que não terminam e sempre permanecerás naquela gaveta onde o teu nome é a chave que te prende lá dentro. Não mudarei o que fui naqueles tempos, e é por isso que tu também não mudas aos olhos da minha memória. Ela exige-te desta forma, cruel, dolorosa, sorridente, nossa.

Desculpa todas as vezes que te fecho naquela gaveta longínqua e tão colossal, desculpa-me. Mas irás sempre ser tu a pessoa que me transmite a força para ser o que sempre quiseste que eu fosse. Tu.

M.S.

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