Começou por volta das 4 da manhã, uma pequena dor que me despertou de uma forma abrupta mas com alguma insignificância. Agora, são 5 da manhã, e ouço a chuva. Chuva que não existe, mas que atormenta o meu pequeno ser. Este bater constante diz-me palavras que delicadamente me continuam a enfraquecer. Não sei ao certo o quanto tempo que me resta. Provavelmente, o relógio irá tocar daqui a pouco, anunciando a mudança de hora e a chuva ainda se mostrará altiva no seu som inexistente.
Reparo que não é chuva, é apenas um som. Um som que conheço como a chuva, um som que trato como um amigo. Não é chuva, são lágrimas. E no fundo são o mesmo. Ambas molham, ambas arrefecem na pele e congelam como cristais que a rasgam. De qualquer forma, dói. Não dou pelo tempo passar, e já o sol deve ter anunciado o início de um novo dia. A coragem para lavar a chuva que habita em mim é nula. Vejo as horas correrem junto a ela, junto a esta chuva que não me deixa encontrar um ponto de seca, ou de ebulição.
Olhei para o relógio e confirmei as minhas suspeitas. Já são 7 da manhã e dou-me conta de que foi mais uma noite em branco, chamando por mim e não por ti. Chamando e chamando, vindo apenas a chuva. Chuva que nunca me larga, que não me deixa encontrar a protecção de ti, do tempo.
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