(...) Fiquei então a navegar no teu computador enquanto me punha on-line. Não prestei atenção. Vi fotografias que me magoaram de saudade e ouvi músicas que, juntamente com o cheiro que navegava no ar, traziam recordações não desejadas. A dor era suportável, e o meu apoio estava ali a escassos metros de mim. Não havia motivos para a tristeza, e a culpa de estragar o momento com memórias era minha. Sabia que tinha que esquecer. Uma espécie de amnésia temporária até que voltasses, mas não consegui.
Fiquei então ali sentado na cadeira, olhando para o ecrã sem o ver, explorando memórias já exploradas por demais. A dor apoderou-se de mim, mostrando-me que nunca tinha desaparecido completamente. Como uma ferida que não tinha curado, apenas deixado de sangrar. Os olhos encheram-se de lágrimas, mas não caíram. Por momentos, percebi onde estava e impedi que elas molhassem a secretária. Estava tão fixado nos meus pesadelos pessoais que nem reparei que...
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