Inquieto-me, no meu canto, ouvindo o silêncio sussurrar-me ao ouvido. Treme-lhe a voz, ecoando por todo o lado, retribuindo os meus próprios medos.
Aqui, ouço sozinho.
Desmemoriado, talvez me tenha
esquecido de ti em um qualquer lugar. Mesmo que dentro de mim – no meu ADN, em
crosta, na fibra minha – não sei de ti.
Onde começo eu, terminas tu. Mas onde?
Em loop, sinto-me tonto, enrolado
em posição fetal no meio do chão da sala. Tudo termina em ti enquanto eu espero
por esse fim. E então, porque não me consigo levantar do chão, enquanto espero,
aqui, ouço sozinho. Por um resto de ti. Ou, pelo menos, um resto de mim.
Espero, ouvindo, enquanto
confesso a mim mesmo, em segredo e em voz baixa, que as melhores partes de mim,
aprendi ao olhar para ti.
E, por isso, me vejo aqui,
procurando-te, sem saber de mim.
Puxando pela minha fraca memória,
contando os detalhes das promessas feitas, questiono-me, sem fôlego:
Como é que vou escrever sobre ti
até ao fim da minha vida?