segunda-feira, 4 de maio de 2026

begged.

Inquieto-me, no meu canto, ouvindo o silêncio sussurrar-me ao ouvido. Treme-lhe a voz, ecoando por todo o lado, retribuindo os meus próprios medos.

Aqui, ouço sozinho.

Desmemoriado, talvez me tenha esquecido de ti em um qualquer lugar. Mesmo que dentro de mim – no meu ADN, em crosta, na fibra minha – não sei de ti.

Onde começo eu, terminas tu. Mas onde?

Em loop, sinto-me tonto, enrolado em posição fetal no meio do chão da sala. Tudo termina em ti enquanto eu espero por esse fim. E então, porque não me consigo levantar do chão, enquanto espero, aqui, ouço sozinho. Por um resto de ti. Ou, pelo menos, um resto de mim.

Espero, ouvindo, enquanto confesso a mim mesmo, em segredo e em voz baixa, que as melhores partes de mim, aprendi ao olhar para ti.

E, por isso, me vejo aqui, procurando-te, sem saber de mim.

Puxando pela minha fraca memória, contando os detalhes das promessas feitas, questiono-me, sem fôlego:

Como é que vou escrever sobre ti até ao fim da minha vida?