Foi naquele dia.
O sol punha-se atrás de uma colina qualquer.
A brisa era quente e vaga. A lua desvendava-se em tons de laranja. Não
havia som. Tudo era silêncio.
E tu.
Nem eu sabia. Mas foi naquele dia.
As
tuas costas arqueavam. A tua respiração era ofegante. Os vidros iam
embaciando em segredo. Não havia mais nada. Tudo era nós.
E eu.
Eu não sabia. Mas foi naquele dia que destruí uma pessoa pela primeira vez.
O
teu sorriso substituído por olhos afogados. A tua gargalhada trocada
por porquês. O som do teu coração a cair-me aos pés. Não havia como
prever. Tudo era simples.
Menos para ti.
Como poderias compreender? Não sou de ninguém, nem mesmo meu.
E tu? Tu foste dano colateral do que sou.