Estamos
ali ao fundo. Consigo ver-nos. No meio de toda a escuridão que me rodeia, ali
ao fundo, estamos os dois – juntos, submersos numa felicidade que
irracionalmente imagino – como que numa promessa. Mas não é uma promessa. É uma
mentira.
Toda
esta escuridão impede-me de mover. Fico horas estagnado neste lugar que nem
reconheço e penso para mim mesmo que tudo está bem, que amanhã estarei ali
contigo. E como me engano. Estamos longe. Demasiado. Mesmo agora, ali fundo, a quilómetros
de tudo aquilo que quero alcançar, não estamos felizes. Cada um no seu canto,
embora ao lado um do outro, existindo sem força ou vontade. Presos por algo que
já não sei. Quis tanto de mim e de
ti. Ainda quero. Tentei explicar-te mas a escuridão aumentou a cada palavra, a
cada acusação cuspida, e não sei como chegar a nós. A minha boca está seca. A garganta
arranhada. Não tenho força. Quero chorar mas não vejo propósito.
Ainda
estamos ali ao fundo, penso. Ao menos isso. E se nunca nos alcançar, pelo menos
terei uma esperança (mesmo que irreal) de um amanhã melhor para nós. Uma
memória vaga do fomos.
Até
ao dia em que te esqueças de mim…