A
nossa memória é mesmo algo peculiar, não é? Já não me lembro de muito do que tu
eras. Não me recordo do teu cheiro, do timbre da tua voz ou do calor do teu
abraço mas relembro como se fosse hoje o gosto amargo na boca de quando soube
que me tinhas deixado. Já passaram cinco anos, acreditas? Como foi que o tempo
passou tão rápido? Não tive outra opção. Adaptei-me. A vida continuou e eu
tentei continuar sem ti. A verdade é que nunca te consegui consertar em vida,
não seria agora que o faria. Mas as poucas gretas que por vezes encontrava na
imagem perfeita que fiz de ti, tornavam-te na melhor pessoa que tive o
privilégio de conhecer. E fazes-me falta todos os dias, mesmo quando não me
lembro.
Quando
as coisas estão mesmo más, eu vou ter contigo – sempre. Mantenho-te comigo para
onde quer que vá. E só espero que ainda estejas orgulhoso de mim.