Ninguém
me conhece como tu. O bom e o mau; as minhas poucas qualidades e os meus
inúmeros defeitos; as ligeiras certezas e as infinitas inseguranças. Só me
encontro em casa quando estou contigo. Quando tudo me falha, sei que tu estás
lá, mesmo que as tuas falhas te caracterizem e me cicatrizem. Assisti ao pior
de mim pela tua mão mas volto sempre. Descubro sempre que entre a dor de te ter
e a de não te ter, escolho sempre ter-te do meu lado – ensinaste-me que a
felicidade também dói. Mas a que custo?
Isto
vai acabar mal, ambos o sabemos. Já percorremos este círculo e ainda não sei
das peças que perdi pelo caminho. E é por isso que volto. Acabo sempre por
achar que as apanhaste pelo caminho e que vais, finalmente, deixar-me completo.
Mas não vais, pois não? Ainda não é desta que nos casamos (porque finalmente me
convenceste a fazê-lo), temos o nosso puto e somos felizes para sempre, pois
não? Vou cair outra vez, eu sei que sim, e vai doer. Mas és a minha casa. Como
não voltar ao tecto que me tornou no que sou hoje?