A
vida deu muitas voltas e tu não estás mais aqui. Fomos muito, não fomos? Colecionámos
músicas e fotografias. Recortámos memórias e colámo-las nas paredes do nosso
quarto – respirámos e vivemos.
Mas
agora somos cicatrizes que marquei na pele por te ter perdido. Vagueio pelos
cantos, fingindo sorrisos e vestindo uma cara amigável. Não restou nada depois
de teres ido. Expecto o silêncio. Esmaga-me contra o chão enquanto todos se
movem e continuam com as suas vidas.
Eu
já devia estar habituado a isto, certo? Já vi vezes de mais a nossa história
jogada aos perdidos e achados, sonhada e vivida por outrem, levada e
conquistada. Mas nunca comigo, nunca connosco. Então eu vagabundeio por aí e
carrego o silêncio que me deixaste. Engulo frases que não posso dizer em voz
alta e a doce negação de tudo isto.
São
só detalhes, momentos de uma vida a dois. Não é nada. Mas já foi tudo… Era isto que querias ouvir?