terça-feira, 25 de agosto de 2015

afraid



            As palavras ficam escassas quando tento escrever sobre isto. Parece que tudo me falha e a realidade cai sobre mim. Percebo que sinto muito mais do que demonstro e tento ao máximo não senti-lo. Tudo é melhor que sentir – sentir cada quilómetro que nos separa, cada gargalhada não dada, cada opinião não trocada ou cada informação não dita. É-me difícil compreender esta diferença que existe agora.
            Lembras-te do quanto partilhámos? (...) Assistimos em primeira mão às fraquezas de cada um e confidenciámos coisas nunca antes ditas. E eu sei que ainda o fazemos mas é de diferente forma. (...) Compara o que antes vivemos com o que acontece agora? …
            Por isso, eu evito escrever sobre isto. A pessoa desligada que és e que deixa de sentir falta dos outros mete-me medo. Este medo é controlado. Sei o que somos... Mas mesmo assim é uma espécie de medo. Este medo só surge quando me debruço sobre isto mas faz mossa. E atrás das paredes que ergo existe sempre o aguçar da distância no meu peito.
            Então eu ignoro. Aproveito cada momento que é nosso. Cada segundo que conseguimos gastar ... mesmo que exija sacrifícios, e tento não pensar no amanhã. Há coisas que considero certas (...) E assim vivo o dia-a-dia até que chegue a hora de nos encontrarmos novamente. É isto.- 24.07

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

numb



                Tudo me passa ao lado. Acostumei-me de tal forma à dor que já não sei se ela ainda aqui mora ou se é apenas o seu fantasma. Esta dormência circula-me nas veias. Nada sei sobre as trajetórias de mim – não sinto vida. E então quando tu voltas, algo pulsa e repulsa em mim. Subindo pelo meu peito e substituindo-me o ar por algo que queima como fogo. Se tu soubesses as cicatrizes que fiz por te ter perdido…