Como
consegues? Desapareces tão completamente que chega a parecer que nunca
exististe. Não há rasto de ti em lado algum. As poucas palavras bonitas que me
dizes são frias e maquinais. Como fazes isso? Escondes-te de mim e levas
contigo qualquer rasto de luz. Está frio. Está escuro. Não sei para onde me
virar. Sou assim tão insignificante?
quarta-feira, 10 de junho de 2015
pilot mode
A
dor de cabeça não pára e eu contínuo em modo automático. Acordo sem vontade de
me levantar e enfrento os mesmos fantasmas que me perseguiram na noite
anterior. Engulo o choro que me ficou entalado na garganta e ponho uma cara
amigável. Saio de casa para fingir vida e convivo com pessoas que não quero.
Após horas de trabalho maquinal, regresso e deito-me. A dor de cabeça não pára
e a fome não me preenche. Só quero dormir. Mas a tristeza que acumulei ao longo
do dia regressa em avalanche e não sinto mais nada. Adormeço cada vez mais cedo
para tentar ignorar a falta que me fazes. Quando consigo fazê-lo é pela metade
e as saudades mantêm-se. O dia começa, tudo se repete. E a dor de cabeça não
pára.
terça-feira, 2 de junho de 2015
ww
Ainda
não sei por que razão me assaltas os sonhos. A forma como chegas é tão natural
que chego a pensar que nunca te foste embora. Mas sei o quanto dói regressar a
casa e recordar o teu cheiro. Cada momento é-me tão familiar que parece ter
acontecido ontem – como um déjà vu. A estranha sensação de calor e conforto que
sempre me deste regressa em pleno e por momentos acredito não precisar de mais
nada. Mas isso é uma mentira. Existe tanto que me falta.
E
a cada mentira sinto que o vício da tua dor alojou na minha alma e não há nada
a fazer. Esqueço-me dos sentidos e nem me importa o quanto a tua presença me
rasgue e me deixe em carne viva. Quase que fico feliz pela dor que me deixas.
Nunca tamanha tristeza representou tanta felicidade. E são nestas estranhas
circunstâncias que percebo que és tu quem me faz mais falta.
Assinar:
Comentários (Atom)