sexta-feira, 29 de maio de 2015

tique-taque



Os dias vão passando sem que me dê conta. O sol marca a minha pele e o cabelo fica mais claro. Ainda não tenho nada. Vivo de dias ocos e de horas vazias. Tirando os minutos de prazer que me dão, tudo é um espaço que não consigo preencher. Acabo por coleccionar chupões no pescoço e arranhões nas costas mas pouco mais. Não há excitação, felicidade ou ambição. Falta sempre qualquer coisa – falta-me tudo. Dói. E os dias vão passando...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

roundnround



Não andei à tua procura. Mas o mundo girou e tu vieste a mim. Uma e outra vez.
Há coisas que nunca mudam, disseste-me, e desde então não o esqueci. Embora não tenha chegado a dizer palavras bonitas – nunca foi o nosso estilo – eu comuniquei contigo através das minhas acções. Havia coisas que eu fazia por ti que nunca faria por outra pessoa qualquer. Nunca to escondi. Tu sabias. Eram pequenas trivialidades do dia-a-dia. Pequenos detalhes que te mostravam a dimensão que tinhas na minha vida.
Eu deixei que me visses. Sentia-me confortável contigo. Não precisava de usar qualquer máscara. Deixei-te entrar nas paredes que construí para todos os outros. E tu sabias.
Nunca te vi sorrir tanto como daquela primeira vez em que me vim dentro de ti. “Finalmente!”, disseste-me antes de me dares um beijo. Nesse mesmo dia começaste a falar dos nomes dos nossos filhos. Quase que sinto a mesma sensação de tontura agora que me lembro disso. Cheguei a pensar que eras louca. E tu eras. A tua loucura fez-me uma nova pessoa. Mais forte, mais seguro, mais eu. Contigo a meu lado fui aquilo que sempre quis ser.
Agora tudo mudou. Não o mostro e ninguém sabe mas contínuo a tentar encontrar um remende para vazio que deixaste. Foi só quando te encontrei que percebi que tinha andado à tua procura sem dar conta.
A nossa sorte é que o mundo não pára de girar.

sábado, 2 de maio de 2015

fck



Ainda cometo os mesmos erros. Não aprendo. Crio uma rotina que depende de alguém e penso que essa pessoa pretende continuar nas curvas e contracurvas que é a minha vida. Mas isso nunca se passa, claro. Vou sempre ficando sozinho, coleccionando hábitos e manias, tentando guardar o pouco que restou. Fico sentido falta de quem não sente e acabo por ser mais uma pedra no sapato de quem só quer fugir de mim.