Sem
sono. A madrugada abraça-me. O vazio pesa e esmagada. O meu peito bate alto num
murmúrio surdo. Que é de mim? As peças caíram em meu redor, estilhaçadas pelo
chão. Peço ajuda sem falar. Afogo na tristeza que me escorre pela face. O que é
isto? Respirar custa e não há nada por perto. Estou sozinho e sem ninguém. A
multidão traz o mesmo eco mostrando que não há diferença. A escuridão cobre-me
e vejo-me o vazio. O que deixo por dizer cai-me pelos olhos. O oxigénio
torna-se escaço e a solidão dá-me a mão. Este é o meu único contacto. Todas as
noites. Repetindo-se por entre as horas viciosas que vagarosas passam a dias.
Estas olham-me nos olhos e dizem-me com um sorriso, Aguenta., apenas para
ouvirem dos meus lábios secos, Não consigo mais.
O
sono teima em não vir. Os comprimidos que tomei adormeceram por mim. O cansaço
mantem-se o mesmo. Não consigo mais. Deixo-me cair e cair. O que é isto? Que
coisa é esta? Não me vejo mais, prefiro não olhar. Prometo. Falho. No que me
tornei?
Vivo
assim. O sol espreita pela persiana. Aprendo a mentir mais um sorriso. Tapo
feridas de balas com pensos rápidos. Espero pelo abraço da madrugada para que
tudo se repita.
No
que me tornei? Já nem isto faz sentido…