sábado, 18 de outubro de 2014

desisto.



                Leio muito quando estou triste. Muito, mesmo. Quando não encontro palavras para escrever o que sinto, procuro-as. E torna-se patético a quantidade de frases com que me identifico. Existem tantas pessoas que sentem o mesmo. E são tantas as frases que foram escritas para mim – frases que me reflectem. São frases minhas que não disse e que pensei. Frases que criei e enraizei em mim sem nunca as pronunciar. Respostas que esperaram pela pergunta e que morreram-me nos lábios. Triste. Assim que as encontro morro mais um pouco. E, como hoje, quando as leio sinto o avassalador vazio que existe dentro de mim.
                Nunca me senti tão sozinho como ultimamente. Nunca. Não sei como reagir a isto. Não tenho sequer força para reagir. Já nem as palavras me ajudam. Que fiz eu de tão ruim? Deixar de sentir por ter sentido de mais? Não sei. Já não sei nada. Será que alguém levaria a mal se eu desistisse?