Espero.
Os dias arrastam-se, longos e vagarosos. Vejo-os passar sem ouvir de ti.
Tique-taque, tique-taque. Tudo se move mas eu estou parado. O vento sopra e
chama a chuva. A casa está quieta. Respiro fundo. Tudo aqui te chama. Coloco o
telemóvel ao meu lado e espero. Ponho música a tocar e enquanto ela ecoa pelas
paredes vazias, olho pela janela. Cinzento esconde o sol. O relógio não pára e
sobrepõe-se à música. Tique-taque, tique-taque. Eu espero sem vontade. Aguento
a dor. Desisto e escrevinho algo. Espero mais um pouco mas agora faltam-me as
palavras. Não sei de ti. Não sei esperar mais. O telemóvel continua sem sinal
teu. Tudo aqui ainda te chama, cada vez mais alto. O relógio não pára.
Tique-taque, tique-taque. Espero. Espero e dói. A casa está sem vida. Tudo aqui
são vestígios teus. Sabes o quanto eu dava para que fizesses o frenético
tique-taque parar? Não, acho que não. Continuo a perder-te por muito que
espere, é isso. E não o consigo evitar.