Não
tem sentido. Vens-me com conversas, enrolando os dedos no meu cabelo,
dizendo-me que sou teu enquanto falas do nosso dia de casamento. Mas eu já ouvi
isto antes. Sei os erros que se vão seguir e o quão ocas são as tuas palavras.
E isso não tem sentido para mim. Como podes jogar tanto para o ar e esperar que
eu não apanhe? Depois, quando pedes respostas e eu não tas dou, afastas-te como
se tivesses o direito.
Foi
por isso que hoje, pela última vez, te disse que tinha sido a última vez. A
febre que nos tocou durante tanto tempo arrefeceu. Já não sei se és aquela que
considerei a mulher da minha vida. Deste-me tanto e agora que queres mais da
minha parte, eu não tenho mais para te dar. Isso deixa-me triste, confesso. Tornamo-nos
estranhos por muito que o tentes contrariar.
As
conversas já são rotina, as piadas perderam a graça, os momentos juntos são um
despachar e a ligação de telepatia não existe mais. De tantas semelhanças que
tínhamos crescemos diferentes. Quase que te peço para que fiques mas não sei
mais estar na tua presença. Por isso, peço desculpa – hoje usei-te para te
tirar do meu sistema, só para isso. Não te deixes enganar com aquele particular
“final feliz”, já nem isso me deixa satisfeito…