quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

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Sinto-me sempre como se precisasse de me agarrar a uma manta, isolado numa cabana qualquer, olhando pela janela enquanto o gelo cai na rua e embranquece o chão. Fica sempre tanto frio neste velho dia. Fica um gelo estranho dentro de mim mesmo quando o sol abrasador queima a pele. Em que se tornaram as promessas se não nisto? Um frio incomum que avelhenta a olhos vistos e secos?! Pela janela vejo o vento remexer a estranha neve que não existe e que levanta fantasmas de ti, cobertos de desapontamento. E fico vazio. Não existe pedaço algum que aclame o teu nome, não existe voz que pergunte a razão de fugires, não existe coração para que me importe. Adormecidas, as lembranças já nem sonham a tua face enquanto as vejo fechadas naquele baú poeirento. Os papéis acabaram por não passar disso e as letras inquietas sucumbiram-se à humidade servindo apenas para atear um fogo que de pouco cuida. Tornou-se estranho. Sentes isso, não sentes? Agora é tarde de mais e quando me falam de ti não existe mais nada a escavar em mim. - 2012

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