Foste
um dia. Ou até menos que isso. Foste uma cama, um momento. Mas depois disso o
teu cheiro ficou nos lençóis que não cheguei a lavar. Viver longe de casa tem
destas coisas – se me esqueço de um pequeno detalhe, ele aumenta. Uma semana
depois e é como se ainda cá estivesses. Esqueceste-te de levar contigo os
instantes que ficaram na fronha da minha almofada e é esse o teu mal. Deixas
tudo de ti em mim. Propositadamente. E eu? Eu esqueci-me de te contar que há
coisas de mim que nunca terás por muito que voltes…
sábado, 27 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
HYFR
Não olhas mais para mim. Não me faz diferença e tu sabes. Isso magoa-te de uma forma absurda e tentas escondê-lo. Falhas redondamente. Quase que consigo sentir através de ti e recordo-nos sempre que te vejo.
Cada momento é folheado como um jornal antigo e jogado para o lado: o nosso primeiro beijo sentados nos degraus do teu prédio; as fotografias que tiramos dos sorrisos momentâneos; as idas ao cinema em que tentavas desconcentrar-me do filme; a primeira vez que fizemos “amor” no banco traseiro do teu carro e as inúmeras vezes que se seguiram em locais cada vez mais perigoso; as vídeos que fazíamos com o meu antigo telemóvel que em diversas vezes parou a meio; o teu esforço para me manter interessado; a tua ilusão quanto aos meus sentimentos; o meu desinteresse cada vez maior; o nosso final.
Não sinto nada. E não devia ser assim. Podia dizer que houve um momento em que fui teu mas ia mentir. Não consigo aldrabar (nem tenho interesse nisso) e tentar mostrar-me culpado. Passo por ti da mesma forma que antes. Não fiz promessas nem ouvi as que fizeste. E, principalmente, não mudei. Julgas-me e condenas-me. Continua sem me fazer diferença e tu sabes.
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