quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ainda ontem, enrolado nos lençóis, quando conversávamos pela infinita vez, disse-te que ainda era a mesma pessoa de antes e que mantinha os mesmo hábitos. Disse-te que por muito que tivesse mudado continuava a ser a pessoa que tinhas conhecido. O meu humor pela manhã continuava a ser terrível, a fome constante ainda se mantinha, a falta de paciência para pessoas infantis, etc. Estava escuro e embora eu não te conseguisse ver a cara senti-te o sorriso. A ironia era deliciosa, bem sei – como podia eu não ter paciência para pessoas infantis quando me encontrava com a pessoa mais infantil do planeta? Ficámos em silêncio por uns instantes, reflectindo as palavras e o silêncio. Aquela conversa parecia-me antiga como de outros tempos, entrelaçada com outro local e outras pessoas que não nós. Quebrei o silêncio dizendo, porque na verdade, tinha sido eu a provocar aquele constrangedor momento:

- Tu sabes como sou. – Desejando que conseguisses ler nas entrelinhas. Silêncio. Esperei por uma resposta mas quando ela não chegou, dei por mim a pensar que já tivesses adormecido. Virei-me de costas para ti e fechei os olhos.

- Conheço-te como a palma da minha mão. – Disseste alcançando a minha. Foi a tua forma de calar o silêncio que me fez sorrir e adormecer daquela forma tão suave. Foi a tua respiração constante ao meu ouvido que me fez sonhar um mundo impossível. Foi a tua presença, tão inconstante, que me fez acordar como se tivesse aberto os olhos para o dia mais bonito de sempre. E apesar de não estares a meu lado no dia seguinte, não pude deixar de imaginar o quão perfeita a minha vida teria sido se eu não te tivesse deixado partir.

M.S.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011










Nas dunas do tempo ainda encontro os detalhes fotográficos de ti. E todo esse teu conjunto ainda me deixa sem ar.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

21 gramas

Abri os olhos e soube – naquele dia iria esquecer-te. Iria expulsar-te da minha memória e criar novas prateleiras carregadas de inutilidades. Iria esquecer-te mesmo que isso fosse sinónimo de não ter memória alguma. Iria deixar de me interrogar ou supor, muito embora não fosse capaz de entender como conseguias fingir que nunca tinhas vivido no meu mundo. E, juro que, no instante em que decidi apagar-te de mim, fiquei 21 gramas mais leve…