I saw the light today.
Sempre que me falam de ti, eu ouço o mar. Ouço o rebentar das ondas na areia, o enrolar da água transparente reflectindo o sol, o vento soprando o cheiro salgado. Ouço-o como se estivesses no meu ouvido, falando comigo, rindo comigo – remexendo comigo. Não tens explicação. Voas entre os raios solares e sopras-me o cabelo. Arrefeces-me quando tenho calor e matas-me a sede. Deixas chover e molhas-me os pés enquanto brilhas no céu, sorrindo gloriosamente para mim. És um delírio sem fim. E bem sei que não és o sol ou o vento, que não aqueces nem arrefeces, que não tens qualquer controlo sobre a minha sede e sobre a chuva. Eu sei isto tudo. Mas sempre que, vindo de muito longe, ouço o som da tua gargalhada, o mundo esquece-se de continuar. Eu fico parado, sorrindo para o nada, relembrando-me que as tuas palavras num falharam em aquecer-me, o vento nunca te perdeu no mundo, o calor nunca te evaporou em desertos, a água nunca te saciou a sede e que a chuva, molhando ou não os meus pés, nos permitia ficar em casa ouvindo o nosso tão dolorosamente perfeito silêncio. E se uma única pessoa me conseguiu fazer sentir tudo isto, para quê procurar qualquer outra?M.S.
2 comentários:
Adorei :)
palavras para quê?
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