quinta-feira, 31 de março de 2011

melting?: OFF

Dentro e fora de mim – tudo dói. Queima e corrói. Envolve e rasga-me a pele que aparentemente continua igual. Mas nem assim eu consigo aliviar a dor e chorar. As palavras, antigas amigas, agora, até elas me falham sem qualquer desculpa pela sua repentina ausência. A música, que sempre soube como ensurdecer o silêncio, esqueceu-se de me adormecer o espírito e de me preencher o vazio. Sinto-me longe de tudo. E bem sei que este é o preço do tamanho buraco que existe no meu peito. Em que é que me tornei? Até o gelo derrete…

sábado, 19 de março de 2011

pesadelos+mil VIII

Entre imagens que não deviam ter surgido, tu gritaste o meu nome. Olhei pela janela de um quarto que não o meu e vi-te na rua, no meio da estrada, olhando para mim. Eras como que uma sombra no meio da escuridão. A pouca luz que havia deu-me a reconhecer o teu rosto. Não cheguei a saber como conhecias o meu paradeiro e para dizer a verdade pouco importava. Estavas ali, gritando o meu nome, com a dor de saudade nos olhos. Mas foi tudo sol de pouca dura. Tudo o que temi aconteceu. Vi-te sendo alguém bastante diferente do que conheci. Aquela pessoa era-me estranha. Agia de forma irregular e rudimentar. Aquela pessoa era uma desilusão diferente. Uma habituada ao seu sabor constante. Tremi de dor. Sorri ironicamente. E tu, nem notaste. Foi então que me fui embora – para longe de ti, que te encontravas com pessoas que ainda hoje não consigo conhecer. Estranhei a tua repetida ausência, agora que já me tinha habituado de novo a uma presença que, embora diferente, ainda era tua. Estranhei mas não temi pela tua falta. Não queria estar contigo. E pela primeira vez acordei com a dor de saber que mesmo que um dia voltes para mim, eu não te irei querer mais…

quarta-feira, 16 de março de 2011

Dexter: (voice over) Lumen said I gave her her life back, a reversal of my usual role. Well, the fact is, she gave me mine back too. And I'm left not with what she took from me but with what she brought. Eyes that saw me, finally, for who I really am. And this certainty. That nothing, nothing is set in stone. Not even darkness. While she was here, she made me think, for the briefest moment, that I might even have a chance to be human. But wishes, of course, are for children...
in Dexter - Season 5, Episode 12: The Big One

quinta-feira, 10 de março de 2011

i forgive you

Ponho-me a pensar, enquanto vasculho na quantidade de frases que perdi, e não consigo entender como chegamos aqui. Foi-nos possível viver – alterar o humor um do outro, fazer sorrir ou aceitar a dor, reconhecer as mentiras que diariamente dizíamos para descansar alguém, rir das mesmas piadas, escutar a mesma música, sonhar e prometer para quebrar. Hoje é-me difícil estar no mesmo local que tu sem arrependimentos ou remorsos. Sentir tudo o que existe dentro de mim apelando a ti quando sei que o espaço colossal que se encontra entre nós, mesmo quando estás a meu lado, é o que precisamos para sobreviver. Custa. Ver-te comunicar com alguém que não eu e usares o dialecto que era nosso. Fico como que perdido por não saberes que tanto de mim ainda te pertence. E tu ficas na quietude tal de quem nunca aprendeu a agir de outra forma. O tanto que ficou por dizer paira no ar e nenhum dos dois o agarra. Escutamos o vazio que preenche o meu coração enquanto tu tentas adivinhar se as cicatrizes ainda estão onde as deixaste.
É esta a razão pela qual, por vezes, ou quase sempre, eu finjo que te esqueci. Para que todos os pores-do-sol a que assistimos juntos numa praia qualquer, brincando com a areia fresca, encostados na toalha húmida, sentindo a brisa marinha afagando o nosso cabelo e beijando a pele queimada pelos raios solares, sejam apenas boas memórias. Para que todos os telefonemas nocturnos que duraram horas, enquanto os minutos abrandavam para ouvir cada pormenor da tua doce voz embalar um sono que teimava em aparecer, sejam insignificâncias. E para que todos os momentos em que me viste sozinho no meio de uma multidão, olhaste para mim, sorriste, e chegando perto de mim sussurraste-me a palavra “adoro-te”, eu reconheça como sonhos. Algo que nunca aconteceu e que nunca irá acontecer. E quem sabe, um dia, toda esta tempestade de longas memórias que existe dentro de mim se acalme, e tudo isto se torne realidade…

M.S.