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Foi assim que aconteceu. Tu puxaste-me contra ti, agarrando aquela minha t-shirt de riscas horizontais amarelas e cinzentas, e roubaste-me um beijo. Um beijo suave mas com uma paixão confusa de quem sabia o erro que estava a cometer. Foi um erro, venenoso e cheio de espinhos mortais; mas nunca um erro havia trazido tamanho êxtase. Agarrei-te pelos braços e encostei-te a mim, encaixando o meu corpo ao teu. Não afastei os meus lábios dos teus, não fugi da tua língua com sabor a morango, pelo contrário – procurei-a. Afaguei o teu cabelo meio suado pelo calor daquela noite de Verão, e afastando-me, abri os olhos e procurei as profundezas dos teus. Sorriste, envergonhada, e esperaste. Segurei-te na mão, levantei-me do muro onde estávamos sentados, andei sentindo a pele lisa da tua mão e, sem falar, convidei-te a deitares-te comigo na areia fria daquela praia agora vazia. Deitados lado a lado na areia, olhamos a lua cheia e sentimos a brisa marinha respirar. Foi um erro, amargo e cheio de feridas dolorosas; mas nunca um erro havia trazido tamanha satisfação. Rolei sobre ti e colei mais uma vez os meus lábios aos teus. As tuas mãos percorreram o meu corpo e senti-te despindo-me a t-shirt, como se precisasses de sentir a minha pele, de cheirar o meu calor, de provar o meu suor. Peguei nela e pu-la por baixo de ti para que não sentisses frio. No entanto, tu sentaste-te, olhando-me ferozmente e com um sorriso agora nada envergonhado, e despiste a blusa decotada que trazias colada ao corpo. Queria ter prestado atenção à blusa decotada que trazias. Queria ter prestado atenção à sua cor e agora poder descrevê-la, mas naquele instante só tinha olhos para ti. A minha atenção era tua e tu sabias disso. Deixaste o meu olhar percorrer os teus ombros, contar os sinais que tens nos seios, encontrar o teu delicioso umbigo. Ao contrário do que pensei, o meu coração abrandou. Acalmaste-me por meros instantes, enquanto me encontrava num sentido de vigilância sobre ti, e foi só quando te senti em cima de mim que voltei a recuperar a frequência cardíaca. As tuas mãos alcançaram o fecho das minhas calças ao mesmo tempo que eu te subia a minissaia que tinhas meio vestida, meio despida. Foi um erro, surpreendente, forte, inesquecível; mas acima de tudo, aconteceu e ainda bem. Ainda bem que naquela noite decidimos errar os dois, juntos, mais uma vez.
2 comentários:
O que eu mais gosto é a forma como consegues narrar algo. Fantástico, como sempre :D
Adorei, adorei mesmo. :)
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