O vento soprou. Soprou forte trazendo a areia que me envolveu de forma irregular, colada ao meu corpo suado. O sol abrasador queimava os poros e fazia os meus olhos frágeis lacrimejarem. Olhei para o céu, enfrentando o sol. Não havia nuvens, agora tudo era claro. Levantei-me devagar, respirando o ar puro que por vezes ainda me consegues dar. Caminhei. Deixei mais pegadas marcadas na tua pele. Mas o vento, que me empurrava para longe de ti, voltou a soprar. Desta vez deixei que apagasses tudo o que estava marcado em ti e não quis ser a concha que espera pelo seu mar, eternamente. Enquanto caminhava sobre ti evitei a tua areia movediça que me prendeu durante anos. Estava em paz contigo, meu deserto. Deixei que o teu vento me guiasse e me levasse para longe, até sentir a areia escassear por baixo dos meus pés. Continuas a existir, altivo, preso
M.S.
3 comentários:
há quem diga que a esperança é a ultima a morrer ..
Espero que em 2010 possa vir aqui ler textos com a mesma qualidade mas movidos de outro tipo de sentimentos. Sentimentos que te provoquem sorrisos e alegrias e não choros e tristezas.
Abraço Manel [[]]
está tão mas tão lindo.
parabéns adorei,
mesmo!
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