sábado, 2 de janeiro de 2010

meudeserto.(epílogo)

O vento soprou. Soprou forte trazendo a areia que me envolveu de forma irregular, colada ao meu corpo suado. O sol abrasador queimava os poros e fazia os meus olhos frágeis lacrimejarem. Olhei para o céu, enfrentando o sol. Não havia nuvens, agora tudo era claro. Levantei-me devagar, respirando o ar puro que por vezes ainda me consegues dar. Caminhei. Deixei mais pegadas marcadas na tua pele. Mas o vento, que me empurrava para longe de ti, voltou a soprar. Desta vez deixei que apagasses tudo o que estava marcado em ti e não quis ser a concha que espera pelo seu mar, eternamente. Enquanto caminhava sobre ti evitei a tua areia movediça que me prendeu durante anos. Estava em paz contigo, meu deserto. Deixei que o teu vento me guiasse e me levasse para longe, até sentir a areia escassear por baixo dos meus pés. Continuas a existir, altivo, preso em mim. Rodeado de areia que não consigo libertar, afogando-me de vez em quando, desesperando por uma réstia de ar. És meu como eu sou teu. Estarás sempre em mim de uma forma inexplicável. Enquanto a noite gelar o teu céu estrelado, enquanto o dia queimar a tua pele arenosa. Enquanto houver esperança. Sempre.


M.S.

3 comentários:

ritinha disse...

há quem diga que a esperança é a ultima a morrer ..

RuiQ disse...

Espero que em 2010 possa vir aqui ler textos com a mesma qualidade mas movidos de outro tipo de sentimentos. Sentimentos que te provoquem sorrisos e alegrias e não choros e tristezas.

Abraço Manel [[]]

Mariana disse...

está tão mas tão lindo.
parabéns adorei,
mesmo!