quarta-feira, 18 de novembro de 2009

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As lágrimas corriam-lhe pela cara. Ajoelhado sobre o corpo que jazia nas pedras de calçada daquela rua, contemplava o sangue que ia crescendo em sua volta, indicando o fim. Tremendo, tomava nos seus braços o corpo inanimado da pessoa mais importante da sua existência, tentando puxa-la para a vida. A chuva aliviava o calor que sentia a percorrer-lhe pelo corpo, a fúria que o mantinha hirto, e intensificava o gelo que o corpo emanava cada vez mais.

Indiferente à chuva, o relógio que se encontrava no pulso do corpo que respirava por um fio, anunciou a meia-noite. Começava um novo dia e foi nesse instante que o coração parou a fraca batida que tinha mantido nos últimos dois minutos. Estava morto. Nunca mais iria abrir os olhos, nunca mais iria respirar, nunca mais iria existir. E vendo o fraco batimento do coração e a singela respiração dando lugar a um corpo inanimado, o desespero debateu-se sobre ele. A partir daquele momento também ele havia deixado de existir.

M.S.

Um comentário:

RuiQ disse...

e provoca um arrepio na espinha :x