sábado, 1 de agosto de 2009

Kate; 2010

‘(…) Mas não a emoldurei; coloquei-a dentro de um envelope, fechei-o e enfiei-o no fundo de uma gaveta de um armário. Está lá, para o caso de um dia destes começar a perdê-la.

Pode haver uma manhã em que eu acorde e o seu rosto não seja a primeira coisa que veja. Ou uma tarde ociosa de Agosto em que já não me consiga lembrar de onde se situavam as sardas do seu ombro direito. Talvez um dia destes não consiga ouvir o som da neve a cair e depois os seus passos.

Quando começo a sentir-me assim, vou à casa de banho, levanto a camisola e toco nas linhas brancas da minha cicatriz. Lembro-me de como, de início, achei que os pontos traçavam o seu nome. Penso (…) no seu sangue a correr nas minhas veias. Eu levo-a comigo, para onde quer que vá. ‘

Jodi Picolutt, Para a Minha Irmã

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