terça-feira, 28 de julho de 2009

(contaminação)

Ultimamente não encontro palavras para serem ditas, não tenho vontade de me passar para o papel e esqueço-me de que o meu sangue está contaminado pela escrita. Geralmente eu iria percorrer caminhos iluminados e permitir que toda esta ausência de palavras perdurasse porque era sinónimo de uma sensação de ligeira felicidade. E ainda o é. Mas por detrás de tudo o que sou, de tudo o que me move, de tudo o que me constrói cada vez que me destruo vezes e vezes sem conta, estão as minhas palavras e se não as encontro posso afirmar que caminho por um sítio que temo. E se esse sítio novo me der a conhecer mais uma pessoa? Irei junta-la a todas as outras pessoas que vivem dentro de mim e me ocupam a alma? Irá ela obrigar-me a personifica-la até que me recorde que existo? Irei errar outra vez?

Ultimamente são mais perguntas que respostas e por muito que questione, a vontade de me passar para o papel é nula. Tenho medo, confesso, e sei no fundo a razão pela qual já não consigo escrever… Não sei que palavras precisam de ser ditas, não sei quem as diz e não sei quem sou. Como posso esquecer-me que dentro de mim existe uma contaminação de escrita, se tantas pessoas dentro de mim esperam pela sua vez de falar? Nunca me esqueço da importância que dou as palavras que me correm nas veias, mas até descobrir quem as diz primeiro eu irei permanecer em silêncio. Como ultimamente…

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